IGUALDADE ENTRE OS SEXOS

“Como se chama a mulher que vai para a balada e fica com quem quiser? Pelo nome dela”, e foi com esta frase que a fan page de uma loja iniciou e fomentou um debate sobre o feminismo no facebook, ainda que as pessoas não soubessem sobre o que exatamente estavam debatendo, considerando a quantidade de pensamentos equivocados que se lia por lá. A ignorância acerca do tema é um destaque à parte, aliás, ignorância esta também expressada por Shailene Woodley estrela dos filmes “A Culpa é das Estrelas" e "Divergente", que em resposta à pergunta se era feminista ou não, disse: “não sou porque amo homens, e penso que ‘elevar as mulheres ao poder, e tomar o poder dos homens’ nunca vai funcionar. É preciso equilíbrio”. O quê?

Não, não e não, o feminismo não é uma ditadura, não é o contrário de machismo e também não é sinônimo de ódio aos homens, antes de adentrarmos em qualquer discussão é preciso primeiro se inteirar sobre o assunto, cercar-se de informações idôneas que sustentem nossos argumentos, ou então o melhor será nos resguardarmos em nosso direito de não falarmos nada, o que nos tempos de hoje é um grande desafio, haja vista a repercussão saturada em torno do “não sou capaz de opinar”, antes a sinceridade do não saber do que as asneiras atiradas para todos os lados que vemos todos os dias no universo online.

O feminismo é um movimento político, filosófico e social de luta pela emancipação das mulheres, o que ele defende é a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. E a igualdade de gêneros é uma conversa que envolve também os homens, porque eles também se encontram aprisionados em estereótipos criados por uma sociedade que rotula as pessoas. Mas aqui o desconforto é com a palavra que com o passar dos anos tem se tornado impopular, mas por quê? Na verdade o que importa é o peso que a palavra carrega, o ideal que ela traduz, de que não seja negado as mulheres direitos e oportunidades por serem capazes de dar à luz a uma criança em algum momento da vida, que possam receber o mesmo que os homens quando realizam um trabalho de igual natureza.

Mulheres ganham menos do que homens pelo mesmo trabalho em praticamente todas as profissões e indústrias, de posições mais baixas até altos cargos, não importa se você tem um diploma escolar ou um PhD. É traiçoeiro, devastador ... se isso continuar, teremos que esperar até 2058 para ter igualdade de gênero nos Estados Unidos.

Discurso de Patrícia Arquette em um evento da ONU

Mas o feminismo não é apenas sobre igualdade salarial entre os gêneros, é principalmente sobre a participação da mulher na sociedade em grau equivalente a participação dos homens. Uma busca que teve origem nos idos de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque, elas reivindicavam que os direitos sociais e políticos conquistados pelos homens se estendessem também a elas, elas reivindicavam o direito de serem reconhecidas como cidadãs, assim como eram os homens. 

Essa ideia enraizada em todas as culturas humanas, da diferenciação entre os sexos, é prejudicial também aos homens, que se veem coadjuvantes no papel de educar os filhos quando estes precisam do pai tanto quanto necessitam da mãe. Quando eles se veem encurralados dentro do seu próprio universo de angústia e frustração por acharem que expressar suas emoções os tornarão menos homens. Ainda hoje esta é uma realidade vigente, tanto quanto a contemporaneidade da nossa ignorância em torno de uma causa cujos ganhos tendem a ser vantajosos para todos, homens e mulheres.

Se homens não precisam controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Ambos, homens e mulheres, devem se sentir livres para serem sensíveis. Ambos, homens e mulheres deveriam se sentir livres para serem fortes. É a hora de todos nós olharmos os sexos como um todo, em vez de dois conjuntos de ideais opostos.

Emma Watson – Embaixadora da boa vontade da ONU

Homens, como o desrespeito a mulher afeta a sua filha, sua esposa? Mulher, como você se sente assistindo calada seu marido sendo descortês com a própria mãe? Humanos, a busca por um país melhor começa pelo respeito as diferenças, a minoria, é disso que trata o feminismo. O feminismo não é um movimento excludente, e há muito deixou de ser uma luta apenas pela igualdade de gêneros, como muito bem definiu a professora do Departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal do Ceará, Lola Aronovich "é o combate a todas as opressões, de raça, orientação sexual, de classe...". O que acontece é que muitos não entendem o que significa ser feminista, e as pessoas tendem a não gostar daquilo que não conhecem e consequentemente não entendem. Mas se você acredita em direitos iguais para homens e mulheres, seja este direito social, político, econômico, dentre outros, parabéns, você é no mínimo pro-feminismo.


Shirley Basílio | Nenhum Comentário

0 Comentários:

Postar um comentário