MÃES ...

“Mãe na sua graça, é eternidade ... Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.” ___ C.D. A.

A minha mãe, o meu eterno amor.

Parece-me impossível que a gente consiga pensar na construção de quem somos, ou do que nos tornamos sem nos reconhecermos nos olhares, sorrisos e manias das pessoas com quem cruzamos ao longo de nossa curta jornada neste mundo. Somos a costura dos retalhos que tomamos emprestados de cada um, aqui e ali. O que sei dizer de mim, é que não me reconheço muito além dos corações que habitam o meu coração, sou muitas, mesmo sendo uma.

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Em um de seus aforismos, John Done afirma que a morte de qualquer homem o diminui, por ser também ele parte do gênero humano. Assim acontece conosco quando perdemos um dos muitos rostos que representam os laços que em nós simbolizam a costura do tempo. Morremos um pouco também. 

E ali, junto aos muitos rostos que trago dentro de mim estão aqueles cuja simples lembrança me roubam um sorriso, semblantes cujo reflexo revelam a mulher simples, de olhar cansado e sorriso bonito – minha mãe. São estas as muitas mães que me abrigam quando eu menos espero, quando eu mais preciso. Repousam sobre mim um olhar igualmente transbordante de amor, igualmente cansado. Quando a saudade inesperadamente vem me visitar, em uma carta que encontro, uma música que ouço, um cheiro, são elas que me restituem um pouco da paz a muito perdida.

Com elas experimento o contentamento de ser novamente incluída na segurança de um abraço que conforta, que acalenta. Com elas restabeleço a conexão com um coração que mais uma vez me faz recordar o tempero da infância, que conhece meus defeitos e que mesmo assim, e apesar deles, me defende e me ama. São as mães que empresto dos amigos, dos primos. Entre elas estão aquelas que me viram crescer e em um gesto de puro instinto, porque mães são assim, me adotaram. Mas tem também aquelas que não testemunharam o forjar da criança nessa adulta cansada de cair e levantar. Nosso encontro é coisa recente, já data desta época em que os machucados não são mais o resultado das estripulias dos tempos de menina, agora, gente grande, descobri que podemos quebrar também por dentro.

E nessa de tentar ser mais que um fragmento de mim mesma, um amigo sinaliza que uma vez quebrados pela solidão, não importa que outras surpresas nos aguardem - boas ou muito boas, a solidão será para sempre parte de nós. Mas lembrar desses muitos rostos e o que cada um deles representa pra mim, torna a solidão um fardo possível de carregar, e em um instante me transporto para o tempo em que viver era também isso – a certeza de amar e ser amada, completa e incondicionalmente. O tempo em que o lar era a personificação de um alguém e não sinônimo de um lugar para o qual eu sei, sempre poderia voltar, mas estando ele em meu coração e ligado a outro coração, o lugar já não importava mais, o mundo era o meu quintal, qualquer lugar seria o meu lar.

Sou eternamente agradecida aos corações generosos dos amigos, que ainda que por um breve instante compartilharam comigo uma porção do afeto materno que a eles era dedicado, que me permitiram experimentar novamente o lar dentro de mim.

Sou eternamente devedora a estas mães, mulheres que por meio de pequenos gestos restituíram neste coração um pouco da esperança perdida, e o aqueceram com amor e carinho. Não desejando substituir, vocês foram, e para mim simbolizam o amor mais puro que existe no mundo – o amor materno. A única forma de superar a perda e agradecer-lhes verdadeiramente é representando para alguém o que vocês representam para mim. 

FELIZ DIA DAS MÃES!

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

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