EU, TRAÇOS IMPERFEITOS


Tentou desenhar-me, definir-me em traços firmes, perfeitos e continuados, mas teimosa desafiei-o a entender-me em meio aos borrões. Ri da sua incapacidade de enxergar perfeição onde o retorcido é o pai de todas as regras.

Não tenho aptidão para o traçado reto, sem surpresas. Reverencio as linhas curvas da vida, somos rabiscos do mesmo traçado, nossa linearidade é flexuosa.

Viver comigo é como andar sobre linhas tracejadas e de vez em quando deparar-se com espaços em branco, espaços que não podem e nem devem ser desconsiderados, são eles que fazem a distinção entre a beleza subjetiva e sinuosa e a mesmice continuada em traços onde as surpresas escondidas nos espaços em branco não são permitidas.

Traços retos... sempre em frente, marcando a menor distância entre o nada e o lugar nenhum, não existe o longe em mim, existe sim, o emaranhado e a confusão dos traços, e quem ousa aventurar-se em meio a loucura que sou eu em meus rabiscos pela vida, descobre as cores, são elas as responsáveis pelo preenchimento dos espaços em branco.

Meu mundo é assim, quem o vê de longe, confunde-se, não vê claro, quem tenta contemplá-lo a distância, percebe-se míope, mas quando aproxima-se, menos ainda compreende, é preciso mergulhar nele e encarar a explosão de cores e traços imperfeitos, arbitrários.

Esta sou eu, e o que me define não são os meus traços incertos, erráticos, mas a imensidão dos sentimentos que os torna assim.

Muito prazer.


Explosão de cores
Fonte [Imagem]: IdeiaFixa

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

0 Comentários:

Postar um comentário