LIBERTE-SE

Nas palavras do professor Clóvis, o momento de felicidade é o momento que você não gostaria que acabasse tão cedo, é o momento que você desejaria que durasse a eternidade. Bom, acredito que quando se faz o que ama, estes instantes de felicidade tendem a nos visitar com uma frequência cada vez maior. No entanto, e, não raro a decisão de fazer o que se ama passa pela coragem de quebrar o paradigma e seguir na contramão do senso comum, o que significa não estar atrelado aos rótulos. Acostumados que estamos à caricatura do que deveria ser uma pessoa bem sucedida, insistimos em considerar como dissonantes aqueles cujas atitudes não projetam uma imagem de decisão e “despretensiosa” eficiência, e claro, disfarçada submissão ao sistema preestabelecido.

Achamos normal o exaustivo e repetidamente proclamado ódio pela segunda-feira, vejamos, não estaria você ansioso para retomar suas atividades se estivesse empenhando seu tempo e energia em algo que amasse fazer? No mínimo deixar a cama pela manhã não seria tão custoso. Não desconsidero aqui que o caminho para a realização de nossas aspirações, que o caminho daquele que dispensa energia buscando continuamente está envolto com as atividades que ama, que o caminho destes, raramente será sempre margeado por rosas. Dias ensolarados existirão, mas assim como acontece em qualquer área da nossa vida, os tempestuosos também.

Ainda assim, a contemplação do jardim ao final da jornada compensará a eventual ausência das rosas ao longo do caminho. E quanto às tempestades? Elas existirão para que em dias de sol sejamos capazes de admirar a beleza do canto dos pássaros.

É de domínio público o conhecimento de que quando estamos dedicados, completamente envolvidos no processo de construção dos nossos sonhos, sequer percebemos o passar das horas. Por vezes, esquecemos até mesmo de nos alimentar. Assim é, também, quando estamos devotados ao exercício do que amamos fazer ou mesmo quando surpreendentemente passamos a amar o que fazemos. O que antes era apenas fruto da necessidade de subsistir passa a ter um propósito.

Uma vida estável e sem espaço para grandes aventuras, regida pela certeza cega de estar fazendo o que é correto, e apenas isso, deve ter lá seus atrativos, evidentemente, e ninguém deve ser condenado por querer essa estabilidade. Juntar o primeiro milhão, conquistar a tão desejada casa própria e viajar para o exterior uma vez por ano, é muito mais do que a maioria de nós jamais terá.  Menos ainda estarão dispostos a pagar o alto preço desse tão perseguido “conforto”. Exceções, sim, existem, porém raras. Sou de uma geração que está repensando estes valores, a Geração X tem entendido ainda que tardiamente, que os valores que em outros tempos orientavam nossos pais e que foram por nós assimilados, podem ser mantidos sem que para isso a gente tenha que corromper nossos ideais na busca pelo bem-estar social. 

Fazer o que ama é muito mais que um movimento, é um passo na direção de estar plenamente satisfeito com a própria imagem refletida no espelho. Imagine um pássaro que nasce com instinto para voar e, no entanto ele não tem asas, uma mente inquieta e com capacidades únicas sendo condicionada a fazer apenas o que manda a cartilha, certamente se sentiria do mesmo jeito que o pássaro.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

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