CIDADÃO ÉTICO NA ERA DIGITAL


OS DESAFIOS DE SER UM CIDADÃO ÉTICO NA ERA DIGITAL

A sociedade ainda é fragmentada, e, por conseguinte no mesmo âmbito em que discutimos os limites entre o público e o privado, nos deliciamos com o poder colocado em nossas mãos. O poder de bisbilhotar o que publicam os nossos amigos. Sim, por que nem com uma vontade de ferro é possível resistir ao impulso de dar uma espiadinha (concordo, é clichê) no que fazem nossos coetâneos, principalmente quando esta informação está tão à mão.

E é por este aspecto tão em voga na era da globalização – o domínio do ser humano sobre as tecnologias
Fonte: Baboo
vigentes e seu impulso de compartilhar, comentar e divulgar, que a natureza temática da prova de redação do Enem 2011, é tão indagadora, instigante e sagaz. Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado. Eis o grande desafio da nossa era. Como viver em rede e em segurança dentro desta sociedade cada vez mais digital? Como alinhar uma postura com a qual não estamos acostumados e que requer constante orientação, com o adequado uso das ferramentas tecnológicas? O nosso desafio é cultural!

Repensar alguns princípios é preciso. Resgatar alguns valores é essencial. As redes/mídias sociais se multiplicam. O sociólogo canadense Marshall Mcluhan aponta o progresso e as inovações tecnológicas como marca do desenvolvimento humano, sendo estes, elementos imprescindíveis na transformação social, e geradores de novos padrões de vida e mudanças culturais. Mcluhan cunha ainda na década de 60 o conceito de aldeia global que está diretamente associado ao fenômeno tecnológico da comunicação.

Comunicação, participação, partilhamento, são características intrínsecas a aldeia global de Mcluhan e que hoje podem ser identificadas como comunidades virtuais, que neste contexto, representam o ponto de encontro de todas as pessoas com interesses comuns. São elas o elo que une todas as pessoas do mundo. Mundo este que não anda fácil. Quebramos modelos e transgredimos os nossos limites e os dos outros. Consumimos informações com uma urgência avassaladora. No entanto, é praticamente impossível assimilar a quantidade de coisas que nos enfiam goela abaixo todos os dias.

Partindo de uma necessidade de facilitar a comunicação e o compartilhamento, é que o ambiente virtual da web 2.0 aboliu de forma tão contundente e permanente a distância geográfica tão presentes na era analógica. Mas tanta facilidade exige de nós alguns cuidados específicos, seja em relação à segurança digital, seja em relação ao que faz de nós bons cidadãos digitais – uma conduta ética e condizente com a legislação também do/no ambiente virtual.

O atual cenário de um mundo que cada vez mais se move em direção a uma sociedade - para citar um termo do consultor empresarial César Souza, “glocal” e também consumerista, ou seja, que é ao mesmo tempo global e local e que só consome o que é bom - evidencia a necessidade de orientação e educação de jovens e adultos quanto aos cuidados que se deve ter em uma vida online. Temos um desafio, nos adaptar aos estímulos que nos impele a nos mover rápido demais, sem tempo para reflexão.

É preciso compreender que cada um é responsável pelo que escreve e/ou publica na rede. Mais do que o conhecimento das regras e das leis vigentes, precisamos nos adaptar, a quebra do paradigma de uma época marcada pela “ingenuidade” só será bem vinda se com ela alinharmos, boas práticas, educação e ética.

E como ressalta a advogada e especialista em Direito Digital Patrícia Pinheiro, toda mídia tem seus riscos, no caso dos ambientes virtuais, o principal risco está relacionado à exposição em si, à própria interatividade. Portanto, quando estiver online reflita se você está agindo como um bom cidadão digital:
  1. Não publique ou divulgue imagens de terceiros sem prévia autorização para não ferir um direito protegido pela Constituição Federal em seu art. 5º, X, que diz respeito à proteção da privacidade.
  2. Não publique textos ou imagens que possuam caráter constrangedor e/ou ofensivo, evitando incorrer nos crimes de calúnia, difamação e injúria.
  3. Não divulgue imagens ou informações de colegas de trabalho, e nem fale em nome dos mesmos, se não foi autorizado a fazê-lo.
  4. Tranque a gaveta quando sair de casa, ou seja, bloqueie a tela do seu computador ou desligue se for se ausentar por muito tempo.
  5. Quando estiver usando computadores de terceiros, seja em lanhouse, na casa de um amigo, ou mesmo em sua própria casa, lembre-se de fazer logout ao encerrar a sessão não importa qual seja o ambiente.
  6. Seja elegante, evite usar uma linguagem que possa ofender as pessoas. Se tiver problemas busque ajuda ou contate uma autoridade competente.
  7. Não “fale” com estranhos e seja cauteloso, não acredite em tudo que lê, não clique em tudo que vê e redobre a atenção quando receber e-mails de remetentes desconhecido.
Saber o limite entre o público e o privado é estar preparado e capacitado para vivenciar os desafios impostos por esta sociedade digital. Formar usuários digitalmente corretos é contribuir com a formação de cidadãos éticos, responsáveis e compromissados com a legalidade.

P.S.: Publiquei este texto originalmente no site Oficina da Net e embora o tenha publicado em 2012, continua um tema atual.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

0 Comentários:

Postar um comentário