APÓS O MINEIRAÇO ...

Que complicação! Mas bastou que perdêssemos um jogo [o jogo] para que às pressas saíssemos ao encalço do nosso outrora tão “cantado” por Nelson Rodrigues, complexo de vira-lata.
Fonte: http://bit.ly/1zpX0P4
A derrota como muito bem expressou uma torcedora, era esperada, a humilhação não! Ainda assim, mesmo após o humilhante massacre sofrido para a seleção Alemã, ontem no Mineirão, incomoda-me o fato de que nós, povo brasileiro não mais somos capazes de separar os sentimentos que nos conflitam, como vociferam alguns dos nossos pensadores contemporâneos. Consterna-me o fato de que alguém realmente acredite que a Copa do Mundo é a maior e principal alegria de um povo, é uma das, mas certamente não é o tipo de alegria resultante de um evento que muda o curso de uma vida – pelo menos, não para o homem comum.
A educação de péssima qualidade que existia antes continuará existindo após o término da Copa das Copas, os hospitais que antes não tinham estrutura, continuarão realizando verdadeiros milagres com os parcos recursos que a eles são destinados. A segurança continuará nos deixando cautelosos. Ouvi que “se a Alemanha perder a final da copa. Continuará sendo a Alemanha. A alegria e o sucesso deles não depende disso.” Por Deus, que o nosso sucesso também não dependa de sermos campeões ou não da Copa do Mundo de Futebol.
O Brasil perdeu. E perdeu ridiculamente. Entendo que não é apenas futebol, assim como também entendo que – “Há duas copas. Uma bonita, jogada nos estádios, e outra que está fora e que tem a marca da decepção com o que foi prometido e não aconteceu.” Conforme ressaltou a Jornalista e colunista Míriam Leitão em seu texto A Copa e as paixões. Por isso quero crer que nós, povo brasileiro, continuaremos expondo ao mundo as mazelas que nos aflige. Que continuaremos lutando pelo nosso direito de viver dignamente e não apenas de sobreviver das migalhas a nós atiradas, como se porcos fôssemos. Que seguiremos firmes lutando nossas batalhas. Quero continuar crendo que os resultados das urnas refletirão a nossa indignação política e não apenas a futebolística.  
Parafraseando a Jornalista e colunista Míriam Leitão, a derrota seja ela no esporte, na política ou em qualquer esfera da vida do ser humano, não é fruto do acaso, em alguns casos é o reflexo de como se arma o jogo. Aprendamos isso. O terrível gosto amargo da derrota que ontem nos arrasou, lançando-nos ao chão permanecerá por muitos anos. Os longos e intermináveis minutos em que fitamos o vazio, incrédulos, ainda nos assombrarão por mais algum tempo.

O Mineiraço foi vexatório, mas não podemos enquanto nação nos definirmos pelo resultado do jogo [de um jogo] de ontem. Não podemos retroceder ao ponto em que o Brasil volte a ser impopular – no Brasil.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

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