O AMOR MORA NOS DETALHES

[...]

BLASTING NEWS

A revolução do Jornalismo Social

ENTRETENIMENTO

VAMOS CONVERSAR SOBRE CINEMA, SÉRIES, TV, LIVROS E HQ'S. ENTRETENIMENTO INFORMATIVO [...]

IGUALDADE ENTRE OS SEXOS

IGUALDADE SOCIAL, POLÍTICA E ECONÔMICA

CARTA AOS AMIGOS MEUS

Quando escrevo tenho uma evidente tendência a uma narrativa na primeira pessoa do plural, não deixando claro se falo a partir de uma observação generalizada [..]

If you are going [...]

[NOSSO VILAREJO]

“E no nosso vilarejo esperaremos floridas em amor para quando você for [...]

OBRIGADA POR SER VOCÊ

De vez em quando acontece de sermos surpreendidos por alguém que chega trazendo um colorido pra nossa vida, que até então não percebíamos acinzentada.. [...]

#BONES S12E12 - THE END IN THE END

- “VÃO TENTAR NÃO MUDAR, MAS SABE COMO É. TUDO MUDA”.

A 12ª e última temporada de Bones, não passou nem perto de ser uma de suas melhores temporadas, mas, para contrabalançar essa temporada cuja emoção por pouco não se restringiu ao fato de sabermos que a cada novo episódio estávamos mais próximos do final, tivemos algumas gratas surpresas, como o retorno de Zack [Eric Millegan].

Zack fizera parte do elenco fixo das três primeiras e ótimas temporadas, e, em sua última como parte do elenco principal ele se envolveu com um serial killer - o Gormogan, e foi julgado e condenado, passando os seus dias desde então em uma ala psiquiátrica. O regresso de Zack a esta última temporada, busca a redenção da personagem, tentando a partir do ponto em que parou nove anos atrás, provar sua inocência. Os episódios que se seguem ao seu retorno são emotivos, acelerados e trazem algumas revelações interessantes. Assim seguimos, a tentativa de inocentar Zack vai sendo conduzida em paralelo, principalmente por Hodgins [T. J. Thyne], as investigações que fazem parte da rotina dos squints do Jeffersonian. O desfecho dessa história se dá, no E11, o penúltimo da temporada.

Quanto ao E12, entregaram-nos um episódio redondinho? Não. Foi o mais emocionante episódio de Bones? Também não, a temporada em si, não foi uma das melhores, conforme mencionei acima. No entanto, o E12 esteve carregado de aforismos, que em suma revelavam o tom de cada personagem ao longo dos doze anos de existência da série. Um exemplo desses aforismos acontece quando Hodgins percebe que Booth [David Boreanaz -  aliás já escalado para fazer Jason, Oficial da Marinha dos EUA em nova série da CBS] após a explosão que os deixou, ele, Booth, Brennan [Emyle Deschanel] e Angela [Michaela Colin] presos no Jeffersionian está sendo insano, ele dispara com autoridade – Não tem que ser um herói! Ser o herói em toda e qualquer situação, foi uma marca forte da característica de Seeley Booth, não é que ele precisasse ser, mas sacrificar-se pelas pessoas que ele amava, era parte dele, era o que o tornava único.

Podemos citar ainda o momento assustador onde contemplamos a possibilidade de ver a personagem de Emyle Deschanel - Temperance Brennan, encerrar seu ciclo com severos e permanentes danos em seu cérebro. A capacidade intelectual de Brennan é uma parte da personalidade dela que a fizeram ser quem ela era e que nos fez, em um primeiro momento, amá-la. Estaremos sendo hipócritas se afirmarmos o contrário. Foi duro ouvi-la dizer:

BONES_S12E12
- Na maior parte da minha vida, tudo o que eu tinha era a minha inteligência... Meu cérebro, meu modo de pensar, é quem eu sou. Se o que me faz ser eu mesma se foi, quem sou eu?

E Booth, claro, respondeu como tinha que responder, nos emocionou, era quando se permitia ser esse tipo de herói que gostávamos ainda mais de Booth, quando tudo a sua volta parecia ou literalmente desmoronava, lá estava ele com seu potinho distribuindo esperança, sendo o farol para todos. E aqui ele foi incrível.

- É a mulher que eu amo. Foi quem me beijou do lado de fora do bar na chuva. Quem me levou para atirar no dia dos namorados. Foi quem me pediu em casamento segurando um saco de carne seca, mesmo sendo vegetariana. É a Roxie do meu Tony, a Wanda do meu Buck... Não me importo se você sabe sobre ossos, se sabe como solucionar crimes. Só o que sei é que quero passar o resto de minha vida com você. Esta é você, Temperance Brennan. Você é minha parceira. Não se esqueça disso.

O comprometimento da memória de Brennan e a incapacidade de processar informações complexas, foi um instante demasiado pesado para mim. Foi como assistir ao roubo da identidade da personagem, ou seja, Brennan precisaria reencontrar o caminho de volta pra casa, sabendo de antemão que este caminho havia sido comprometido, e que seria impossível prever o que ela poderia encontrar. Essa seria também uma jornada incrível de se acompanhar, no entanto, igualmente dolorosa. Porém, uma vez que nos encontrávamos bem pertos do fim, foi um alívio vê-la recobrar toda a sua capacidade intelectual.

O episódio contou com uma série de pontos altos, e um deles foi ver reunidos, trabalhando juntos Dayse, Wendell, Arastoo, Dr Clark Edson, que de uma certa forma estavam ali representando todos os estagiários que passaram pela série, gosto de pensar assim.

BONES_S12E12Foi gostoso acompanhar durante todo o tempo de existência da série a amizade entre Brennan e Angela, que pra mim era o ponto de equilíbrio de Brennan, quem a trazia pra perto de nós, e também uma das principais responsáveis por atribuir leveza a série. A Hodgins cabia o humor, e foi gratificante e muito divertido vê-lo finalmente como o REI DO LABORATÓRIO. A Cam [Tamara Taylor], era nada mais, nada menos que a linha tênue entre o que era devido fazer e o que poderia ser feito, mas ela trazia também um humor leve, ela chegou a série logo no início da segunda, e sua permanência seria curta, mas ela arregaçou com a bagaça e não saiu mais, ainda bem, nós agradecemos. E finalmente Booth, a outra metade de Brennan, e quem a permitiu conhecer o amor em sua forma mais pura e honesta, e livre de artimanhas e de segurança, com Booth, Brenna sabia onde estava pisando, mesmo na mais completa escuridão. Ele era o porto seguro de todos eles.

Mas havia mais, a série era mais, e eu não poderia encerrar esse review sem mencionar a adorável promotora Caroline Julian [Patricia Belcher], no final da S06E01 Bones afirma que a Caroline era a cola, era ela quem os mantinha unidos, e ante isso, não há mais o que acrescentar sobre a personagem, exceto que o humor ácido de Caroline, conferia um certo charme a ela, gostaria de tê-la visto mais atuante na série, em mais episódios. Aliás, o E01 da S06 foi um grande retorno de temporada, principalmente porque o final da S05 havia me deixado apreensiva.

BONES_S12E12
Ainda o Lance Sweets [John Francis Daley], confesso que demorei um pouco para gostar dele, e lamentei muito a sua morte, e ele fez falta, no entanto, Aubrey se integrou ao elenco de um tal jeito, como se sempre tivesse estado ali, com seu apetite infinito, enfim, lembraremos para sempre com grande carinho dessa série e de todos os seus personagens, éramos também partes da família Jeffersonian.

É, chegou ao fim a série que me fez buscar por outras séries e então me apaixonar por esse universo de ficção, um universo rico e de infinitas possibilidades. Valeu acompanhar, torcer e se emocionar com os squints do Jeffersionan. Nos encontramos em outras séries, vivendo novas histórias, até breve.



Shirley Basílio | Nenhum Comentário

ELE AINDA NÃO SABE



Em pé na fila do banco, contas a pagar, coça a cabeça de onde nas laterais despontam fios prateados que em franca batalha com os cansados, mas resistentes fios pretos, tentam, rumo ao topo conquistar cada vez mais uma área maior. Ontem, ainda menino, pé descalço, chutava cabeça de boneca, papel, lata e tudo mais que pudesse servir de bola, nem sonhava com o dia em que receberia a notícia que mudaria seus dias para sempre. Logo o primeiro encontro, ele e ela, pela primeira vez frente a frente. Ele sabia, seria o primeiro amor da vida dela, ela, ainda não tinha ideia da imensidão do amor dele por ela.

Ele ainda não sabe, mas já não é o mesmo desde que recebera a notícia, você vai ser papai, num instante tudo mudou, seu mundo girou, como aquele peão que ganhou forma pelas mãos talentosas do vô, e que hoje está esquecido em alguma caixa no porão. Lugar que logo ele vai revisitar, recanto de uma memória física. Ali, saudade tem cheiro, tem forma e poeira também. A primeira lembrança acerta bem seu dedo mindinho - o mesmo que nunca se entendeu com as quinas dos móveis da antiga casa, curioso, agora que é gente grande, o dedinho nunca mais entendeu de brigar com os espaços - ali está, na recordação que lhe acerta o pé, seu nome em Arial Black, esculpido na memória da infância, gravado pra sempre na madeira do taco que por pouco escapou de ser só taco mesmo.

Ele ainda não se deu conta, mas já não é o mesmo jovem adulto que anos atrás disse o sim mais importante da sua vida. Quando aceitou como esposa aquela que muito antes dele já havia dito o sim que os conduziu até o nascimento do dia mais especial da sua vida. E que muito em breve na escala da felicidade, atingiria o infinito, isso ele também não sabia, ainda. E não tardará a compreender, será quando ouvir pela primeira vez o choro que o fará chorar também, mas de genuíno contentamento. Ele então fará parte do clube, receberá tapinhas de felicitações, sem perceber estará ostentando um charuto vindo não se sabe de onde, e terá descoberto o amor maior do mundo, transcendente, de pai para filha.

Ele ainda não consegue explicar, como pode uma pessoa ser tão pequenina, ele não lembrava de já ter tido aquele tamaninho, achava que já havia nascido chutando cabeça de boneca, papel, lata e tudo mais que pudesse servir de bola. Como pode um ser tão pequenino ser responsável por tanto, apenas por existir, sensações que jamais havia experimentado. O sorriso largo esconderá a preocupação, o filho será agora também pai, o neto dobrará a aposta, vô, o senhor agora é bi. O menino que tinha medo das inúmeras possibilidades que o escuro escondia, terá pela frente os escancarados desafios da vida.

Ele ainda não entende, como pode ao mesmo tempo o súdito ser também rei, mistérios que ela divide com ele todos os dias antes de cair adormecida no colo paterno. E de repente, o que antes era só uma gravata, no mesmo laço une passado, presente e futuro em dois corações que se descobrem batendo no mesmo compasso. Ela tem o sorriso aberto dele, o olhar franco e terno daquela que em pé recostada no batente da porta, admira a cena e questiona, como pode duas crianças em idades completamente diferentes falarem a mesma língua? É que em algum lugar do caminho quando ele era o único com a certeza, vai ser menina, pai e filha estabeleceram uma linguagem só deles.

Ele ainda não sabe, mas as mãos que hoje ele conduz, serão as mesmas que um dia irão sustentá-lo quando seus pés não puderem mais fazê-lo como agora.  Ele ainda não sabe, mas as mãos que hoje se agarram as dele em busca de segurança, serão as mesmas que um dia ele procurará em busca da mesma fortaleza que hoje ele representa pra ela. Ele ainda não sabe, mas o amor que pai e filha hoje compartilham, será a ponte que o ligará a lembrança do olhar que torna memorável todas as recordações que o tempo se encarrega aos poucos de apagar. Ele ainda não sabe, mas o amor que pai e filha hoje compartilham, será a ponte que o ligará ao olhar terno da mulher que foi o seu primeiro e grande amor.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

O AMOR MORA NOS DETALHES

E de repente você descobre, de um salto você sabe, que no movimento que descontinua a normalidade de um dia comum está o instante mágico da vida, o amor, que mora nos detalhes, pequenos detalhes que compõe o dia a dia, que transformam a trivialidade dos dias sempre iguais em flagrantes extraordinários. O amor é paradoxal, te sufoca por quase um segundo, para depois te fazer viver mais. O amor é colcha de retalhos, é costura de afeto dos laços que nos unem. É o desatar dos nós do cotidiano que nos prende, é a razão dos entrelaços que nos libertam de dias turvos. É uma mensagem que chega trazendo o desejo de um bom dia, é ser surpreendida com flores no meio tarde, é o boa noite que nos faz dormir sorrindo. É sorriso bobo dançando no rosto, mesmo uma hora depois de desligar o telefone.

FONTE: Imagen Gifs
Mas o amor também é superação, é dia comum, é roupa no varal, é chuva que cai mansinha no quintal, é fazermos juntos o que poderíamos fazer separados, é querer estar junto e estar. O amor está em qualquer tarefa de um dia normal. 

O amor edifica, faz da decepção, capacitação; da dor, aprendizado; permite a um coração ferido que a tristeza transborde até virar alívio, é solidão que liberta. O amor não subtrai, só faz conta de multiplicação, multiplica os amigos, a coragem, os dias felizes.

Mas o amor também sabe caçoar, te faz desconcertado na frente do garoto que faz seu coração acelerar, te faz parecer boba quando ela se aproxima, faz as palavras saírem mais rápido do que você é capaz de concatená-las, e o resultado é um atropelo só, frases sem sentido que nas entrelinhas do seu desarranjo querem dizer apenas, amo-te. Apesar das minhas loucuras, amo-te; apesar da complexidade que habita meu mundo é excepcionalmente simples o quanto amo você. Receba a mensagem, ilumine meu dia, seja você, porque amo-te, não importa onde você está. Amo-te, não importa de onde veio, importa-me apenas se é capaz de permanecer a meu lado aconteça o que acontecer, se é capaz de sorrir em meio as circunstâncias contrárias, se quando busca pelos meus, pelos seus, pelos nossos sonhos não se importa em parecer louco ou louca.  

Mas o amor não é só transcendência, ele é também exigente, o amor conhece a imperfeição, admite falhas, mas e você, é capaz de conviver com um eu falho e complexo? Porque o amor não é feito só de dias belos, mas da capacidade de suportar também os dias nublados. O amor não quer saber sua idade, eu não quero saber sua idade, mas interessa-me saber se seu espírito é capaz de suportar com elegância a aventura que é estar vivo. E quando a tristeza alcançá-lo, quero saber se é capaz de sustentar suas dores sem esmorecer. E quando alegre quero saber se é capaz de dividir comigo o motivo da sua alegria, ou o que lhe causa medo.


E não se engane, o amor não sobrevive só de vocábulos ele precisa de ações para florescer, para crescer forte e vigoroso o amor precisa ser alimentado, com afeto, com atenção. Oscilações e noites densas são a outra face do amor que completam nossos dias, onde a poesia, os simbolismos são particularidades que somente o olhar iluminado de quem não está sozinho é capaz de enxergar.

Mas o amor, o amor não é maldoso, não respeita padrões, não escolhe sexo, cor ou religião, porque se fosse condescendente com as mazelas do mundo, não seria amor.


Shirley Basílio | Nenhum Comentário

E MESMO ASSIM, OBRIGADA POR TER SIDO VOCÊ

De vez em quando acontece de sermos surpreendidos por alguém que vai embora, deixando pra trás um monocromático cinza, um desbotado tom no que antes tinha a cor da amizade. Este alguém, importante pra nós, simplesmente abriu a porta e se foi, silenciosamente, deixando o vazio das promessas não cumpridas. Sim, este mesmo alguém que foi importante pra você, que segurou sua mão em momentos tempestuosos, que caminhou ao seu lado por uma parte do caminho, e quando este pareceu intransponível, emprestou-lhe ânimo e coragem. Sim, este mesmo alguém que chegou sem alarde e que do mesmo jeito partiu, quando então você não mais o reconheceu – não de imediato. E com severas restrições o amigo e por vezes irmão, se transformou em um estranho.

E mesmo assim, a simples menção do seu nome fará ainda por muito tempo com que seus olhos brilhem, afinal, vocês fizeram coisas incríveis juntos, mas aquele sorriso que surgia inconsciente mediante a mais simples lembrança, aquele sorriso não resistiu a ação do tempo. E quando mais nenhuma palavra é proferida, quando o diálogo deixou de existir, velhos vocábulos voltaram para suas casas – e o rude, antes uma expressão de carinho, retoma sua antiga forma, é áspero. A cumplicidade, quando posta à prova rendeu-se aos espinhos do caminho e diante deles caiu. Contudo, a velha premissa seguiu verdadeira, “constituirá falta grave a traição de um amigo, porém, muito mais e imperdoável será desconfiar-se dele”. E incontinente tento seguir firme no propósito de não quebrar essa promessa.

A partir deste desencontro de almas, a vida que havia recuperado seu brilho, foi novamente e por um breve momento oculta pela densa opacidade. E mesmo não desejando mais domar as palavras, aprendi que entre elas há aquelas que se transformam e desaguam em outros versos. A vida seguiu e sorriu de novo.

E hoje, mais ainda do que ontem somos diferentes, mas não tão distantes do que éramos há alguns anos, sabemos hoje como lá atrás que o amor é maior do que a própria vida, eu sinto esse amor, você hoje vive por ele. Nós amadurecemos, cada uma a sua maneira ou ao modo que a vida nos permitiu, e entendemos que o que nos faz feliz é a entrega que proporciona ao outro uma vida de autêntica felicidade.

Não nos faltam os contrastes, eles só não nos sustentam como antes. Mas sabe, sinto-me aliviada pela oportunidade de dividir com os bons amigos que a vida permitiu que ficassem, o gosto por prazeres simples: bons filmes, sentar-se à mesa e dividir a refeição, um pedaço de torta – e mesmo que este tenha como tema a insígnia do time rival, vale e muito. E mais do que imensamente feliz, sou grata a eles por dividirem comigo a fatia do mundo deles que falta ao meu, e por me fazerem companhia mesmo quando eu menos mereço.

E como sempre foi, busco de todas as formas demonstrar o quanto sou agradecida a eles e mesmo que eu caminhe até as estrelas, sequer me aproximarei o suficiente de como me sinto. Mas não deixo de sorrir sempre que recordo dos momentos em que eles me enxergaram melhor do sou, reconhecendo em mim qualidades que eu mesma não sabia possuir. Errei repetidas vezes, ainda erro, e num espírito de reciprocidade estes amigos que insistiram em permanecer ensinaram-me que o perdão pode assumir inesperadas formas, mas que no coração onde a amizade floresce transbordando amor, ele não é necessário.

Ainda conservo aqueles mesmos medos bobos, mesmo depois de sobreviver as situações que eu mais temia. Outras tantas manias estranhas eu acrescentei as antigas. Mas agora, tenho receio de deixar que meu lado mais fraco venha a superfície, num segundo tudo pode mudar. Ainda tenho dias de melancolia e solidão, momentos em que a janela da memória teima em me levar até você, mas é em mim mesma e em minhas esperanças que busco a paz. E se importa, eu não estou sozinha, e ... bom, uma amiga me ensinou que independente do que tenha acontecido e das perguntas que estão soltas por aí, a resposta sempre será o amor, então, não tenha medo. Ah, e mesmo assim, obrigada por ter sido você. E também muito obrigada por ainda serem vocês.
NÃO IMPORTA A PERGUNTA, A RESPOSTA SEMPRE SERÁ O AMOR
 Magalhães, R. via Silva, A. C.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

ELA SÓ QUER SER LIVRE

Ela precisava entender aquele contexto paradoxal no qual se metera, do seu velho mundo restara apenas a rotina que vorazmente consumia as horas do seu dia. Ela já havia se afogado algumas vezes, portanto, não queria mergulhar novamente, tinha medo, ao mesmo tempo não conseguia se afastar, tinha desejos. Mas a mulher com o coração de menina, revestida do poder que lhe conferia a ousadia de ser quem desejava, apenas não entendia como os outros podiam não entender que ela se reconhecia na face daqueles que como ela imputavam a si mesmos a missão de ser para outro a parte do mundo que a eles faltava.

FAÇA MAIS DO QUE EXISTIR

Ela apenas não entendia como os outros podiam não entender, que ela se resguardava da maldade em sentenças que negavam o imponderável. A verdade é que ela apenas não suporta as pessoas que somente existem, que não se arriscam, que não sabem falar eu preciso de você, que não amam incondicionalmente, que se acovardam e perdem a hora, o tempo, o momento, perdem a vida sem de fato tê-la vivido.

Ela apenas não entende essa ideia louca de querer sempre ter razão, de desejar o equilíbrio onde a vida pede a instabilidade da aventura, de querer enxergar onde a fé pede o salto no escuro, no desconhecido. Molhar somente os pés não é com ela, não comunga da sua natureza viver com pessoas rasas ao seu lado. Ela apenas não entende o coração pesado, cansado de arrastar para todos os cantos as correntes de um passado que sequer teve a chance de existir, ela não entende as dores de um coração que constantemente vive aflito das projeções do que deveria estar sendo vivido, agora, no presente. Ela apenas não compreende um coração calejado de doer sempre pelos mesmos motivos, sem razão que o cure da dor e da saudade.

E da saudade ela não entende como os outros podem não entender a nostalgia de um futuro projetado e ainda não realizado, é da projeção e não do que não foi vivido que se sente falta, é certo que um futuro idealizado não será como imaginamos. Ela sabia, ela sabe. E de repente esse vazio que vez em quando parece querer nos devorar, ela não entende como os outros podem não compreender esse aperto no peito despertando uma vontade desesperada de ressuscitar antigas cartas de amor, de falar com quem se foi, com um amigo que saiu sem se despedir, sem dar ao adeus uma única chance. E então a vontade de cair novamente nos braços do primeiro, do segundo, do terceiro amor. E ela sabe que essa ânsia que consome tem outro nome, outro cheiro, outra aparência, é a carência em seu disfarce de saudade. E que assim como a saudade, a carência faz o peito se encolher de dor, e assim como a saudade a carência modifica o amor.

Mas ela ainda não entende como os outros podem não perceber que ela prefere as rudes expressões de um carinho sincero de quem não está acostumado a ele, a gentileza que se desfaz na primeira contrariedade de quem não o é naturalmente, mas porque precisa impressionar. Ela quer se proteger das lutas diárias dos diálogos que exaurem, nos sugam e nos desfazem em pedaços, sem nem porque, sem de fato ser. Ela não é fria, longe disso, a firmeza aparente que transpassa a sensibilidade de um coração que amou e sofreu demais, apenas a protege de amores fracos e de almas austeras. Ela só quer ser livre.

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

ISTO AQUI, É UM POUQUINHO DE BRASIL

O espetáculo era o mesmo para os crentes e os descrentes, mas cada um avalia à sua maneira. Essa é a dinâmica do esporte, Há quem lhe admire a arte e quem se ocupe de negar-lhe a importância. Quando as luzes se apagaram, ainda espiávamos por uma fresta, e um sentimento dramático de medo e expectativa tomou conta das arquibancadas do, até então, templo do futebol que, na noite de sexta-feira, serviu de palco para os deuses do olimpo. E aos poucos o ceticismo do começo cedeu lugar à admiração e à alegria tupiniquim, e os indiferentes foram chegando.

Todos nós experimentamos uma patriótica emoção ao fim da cerimônia de abertura da Rio 2016. Os adjetivos que já não cabiam mais no Maracanã, espocavam nos quatro cantos do mundo. As pessoas que compareceram talvez tenham chegado apreensivas, de má vontade, afinal, estávamos e ainda estamos carentes de nós mesmos, doentes até, apenas aguardávamos o golpe de misericórdia. Reacendemos, renascemos. Os que chegaram desconfiados, saíram clichês, de alma lavada, sorrisos largos e um coração orgulhoso de ser brasileiro.


O poder que emana do esporte excede à imaginação, transcende em valores, restaura, eleva. O Rio de Janeiro de antes tinha problemas enormes, estava afogado em críticas, transbordava decepção, mas, por 240 minutos, sob as bênçãos do Cristo Redentor, o Rio de Janeiro que continua lindo nos agraciou com um espetáculo de encher os olhos, com nossas músicas, nossas cores dando o tom ao maior espetáculo esportivo da Terra. O Rio de Janeiro permanece o mesmo, nossas feridas seguem expostas, mas, por um breve momento, o povo brasileiro se vestiu de novo de verde e amarelo.

Em um lembrete ostensivo de que podemos fazer e sermos mais, a cerimônia de abertura esfregou na nossa cara que, quem faz a diferença, somos nós. Esfregou na nossa cara que quem poderá nos reconduzir a um lugar de destaque, para lá do cenário esportivo, somos nós, o mesmo povo que se voluntariou e se dedicou para oferecer aos cinco continentes um grandioso espetáculo. Esfregou na nossa cara que nossas falhas em setores como o da economia, da saúde, educação e outros, é, em suma resultado das nossas omissões. 

Somos um povo resistente, com uma imensa capacidade de adaptação, talhados para o trabalho associativo que exige colaboração, superamos dois tempos extremos da nossa história – oprimidos, resistimos. Por tudo o que somos, por tudo o que fizemos e ainda pela festa que apresentamos ao mundo, não cabem mais desculpas, não cabe mais apenas apontar culpados. Arregaçar as mangas e dar uma trégua ao nosso pessimismo indizível é mais que necessário, é urgente. A mensagem do Comitê Olímpico Brasileiro foi clara, só poderemos viver o futuro que vislumbramos se, agora, nos unirmos em prol do nosso planeta. Para nós, brasileiros, a hora é de acreditar, recomeçar, recriar o espetáculo, fazer agora o Brasil que queremos ver no futuro.
Fonte: Blastingnews

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

SOLTE O CABELO, PRENDA O PRECONCEITO

EM ESCOLA DO RJ, COORDENADORA PEDE PARA MÃE APARAR OU TRANÇAR O CABELO DOS FILHOS.

Andávamos por aí soltos como se libertos de nossos cárceres, livres de uma vida de retrocesso, de amargas privações, desatentos. O racismo - acreditava o outro em uma inocência tão pueril quanto espantosa – “está erradicado, não existe mais”. Até que em uma esquina qualquer somos surpreendidos, a nossa espreita, a intolerância, o desrespeito, o desserviço. Não existe uma área onde os olhos alcancem que esteja livre dessa doença – mesmo em locais onde o respeito a diversidade deveria ser estimulado, o que vemos sendo edificado é a cultura da intransigência, como no caso em que a mãe que recebeu uma notificação da orientadora pedagógica da Escola Educandário Eliane Nascimento, onde seus filhos, Antônio e Bernardo estudam, no Rio de Janeiro, para cortar ou prender-lhes os cabelos crespos. 

É notório que os ataques aos direitos fundamentais de mulheres e homens, negros ou não, em tempo algum alcançou a trégua, é repugnante que, ainda hoje, sinais que caracterizam a diversidade sejam para alguns a premissa sobre a qual se fundamenta a superioridade de uma raça sobre a outra. É trágico que tal corrente de pensamento ainda seja vigente.

A coordenadora aqui mencionada, incomodada com a estética das crianças, tratou de notificar a mãe dos meninos, Débora Figueiredo, por meio de um recado que dizia: “Mamãe Débora, peço-lhe se possível aparar ou trançar o cabelinho dos meninos. Eles são lindos, mais (sic) eu ficaria mais feliz com o cabelo deles mais baixo ou preso”. É o teatro do absurdo, não há outro meio de visualizar essa situação...  Continuar lendo


FONTE: Blastingnews

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

BATEU SAUDADE DO NOSSO FUTEBOL

Bola pro mato que o jogo é de campeonato! Era divertida a época em que ouvi esta frase pela primeira vez, jogada ao ar, de modo desleixado, assim como o fazia o craque do time quando quase que sem pensar, com um toque de letra excluía o adversário da jogada, e honrava os nobres espectadores com um lance plástico, inusitado. Mas, quiséramos nós que o futebol fosse tão “simplista” como esta frase quase nos faz acreditar. Não é hoje. E não era naquela época das quadras descobertas e campos de terra. Tempo em que o Brasil produzia craques aos borbotões. Éramos bons em sermos os melhores. Encantávamos, mesmo quando não lográvamos o título. Somos um povo inclinado para o esporte, talvez seja parte de nossa herança ancestral, a compleição física que nos compõe para correr, saltar, lançar. Continuar lendo ...

 BATEU SAUDADE DO NOSSO FUTEBOL

FONTE: blastingnews

Shirley Basílio | Nenhum Comentário

#RESENHA_02 - NOSSA HISTÓRIA COM MARIE

Li certa vez que um livro só pertence ao autor enquanto ele o escreve, é verdade, somente aí, neste momento em que o autor é escritor na acepção mais pura da linguagem, ele é dono das palavras da história que conta. Quando a obra é publicada, o livro já não pertence mais ao autor. Magicamente ganha asas, vai ser história em outros lugares, vai se juntar as emoções de outras pessoas, leitores, a partir de cada encontro uma nova narrativa começa a tomar forma. Cada leitor é único e se identifica com a história a sua maneira, tendo como ponto de partida as próprias experiências. E é aqui, que nós autores positivamente nos surpreendemos com o olhar que cada um traz para a obra que ele criou, com o jeito peculiar com que cada pessoa se conecta a história, emprestando a ela uma nova perspectiva. É através do olhar de cada leitor que o autor se redescobre em sua própria obra.

 ESTANTE DE LIVROSApresento a vocês amigos e leitores do blog, um olhar que me emocionou tanto quanto encantou-me, confiram no blog Estante de Livros & Leitura a tocante resenha que Martinha Luciana escreveu sobre Nossa história com Marie, nos encontramos lá.   
O Que considero excelente em um autor (a), é que eles possuem capacidade de fazer o leitor se identificar com o rumo dos personagens, e a Shirley Basílio é excelente nesse ponto ... _ Martinha Luciana | Blog Estante de Livros & Leitura.


Shirley Basílio | Nenhum Comentário